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domingo, janeiro 06, 2008

Invasões Bárbaras

Eu costumava incluir o patrimônio histórico no rol de bens públicos. Estava disposto a pagar impostos para que o Estado sustentasse, por exemplo, o Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Ainda que ineficiência e corrupção fossem altos custos a serem pagos, a natureza do processo de "destruição criativa" capitalista não parecia convergir com meus espamos de conservadorismo. Respeito, admiro e gosto de conhecer a história e seus atores.

No entanto, estive em Petrópolis recentemente e estou, desde então, procurando palavras que descrevam o que senti na Sala de Música do Museu Imperial, uma de minhas preferidas. Eu fiquei consternado diante de uma cena grotesca: decoravam a raríssima espineta, a harpa dourada e o pianoforte de D. Pedro I, um painel de favelas, ao fundo, e um aflitivo funk carioca, pairando no ar. A Funarte está promovendo uma dessas coisas contemporâneas, que para mim pareceram invasões bárbaras nos aposentos da família imperial.

[Fico tão chateado que perco a vontade de escrever piadas com mouros e morros, ou mesmo com Vila Isabel e Imperatriz Leopoldinense.]

Ineficiência e corrupção são falhas recorrentes na administração pública. Mau gosto é sinal da falta de uma velha e boa aristocracia no comando.

quarta-feira, agosto 09, 2006

Anti-manifesto


Desconfio seriamente de qualquer coisa baseada em Manifesto, Movimento ou algo que o valha. O pensamento político mais elegante e consistente não combina com rostos suados, jugulares protuberantes, nem com idealismos fortuitos. A arte que fala às nossas almas não se cria através de um plano para revolucionar o status quo, sua revolução simplesmente acontece.

Jean-Jacques Rousseau (Suiça, 1712-1778) escreveu no início do Contrato Social: "Fosse eu príncipe ou legislador, não perderia meu tempo dizendo o que deve ser feito: ou o faria, ou me calaria."

"Impressão, Nascer do Sol", de Monet (França, 1840-1926), não foi feita para criar o Impressionismo. Simplesmente criou. Além de estar acima, a obra está no Musée Marmottan-Monet, Paris.

quarta-feira, julho 12, 2006

Mateus. Cap. 19, vers. 13 ao 15.

Ao fundo, "Briga de galo", de Jean-León Gérôme (França, 1824-1904). Museu D'Orsay, Paris. Em primeiro plano, crianças brincando com arte conseguiram me deixar otimista. Imaginei:
- Qual é o nome do galo preto, tia? Perguntou a garotinha de blusa azul.
Enquanto a professora pensava na Académie des Beaux-Arts e em todas as metáforas que poderia usar para responder...
- Frederico. Disse o jovem de camisa bege.
- E não é um galo, é um straznovix marciano. Continuou, gesticulando freneticamente.
Todos riram e pensaram que a arte era um negócio muito bacana. Depois cresceram e pagaram impostos para sempre.

terça-feira, junho 27, 2006

Novas luzes e sombras


Eugène Delacroix (França, 1798-1863) é considerado um dos mais influentes pintores românticos. Os românticos nasceram com os ideais iluministas, valorizando a individualidade, quebrando certas regras clássicas, inclusive de comportamento. A inovadora forma de utilizar as cores destes pintores inspirou os impressionistas, para nosso deleite. “Hamlet e Horácio no Cemitério” está no Louvre, em Paris.

terça-feira, junho 06, 2006

A Morte de Sócrates


Jacques-Louis David (França, 1748-1825), ícone da pintura neoclássica, esteve à serviço de Robespierre e de Napoleão Bonaparte, mostrando que a arte está acima das idéias. Similar na técnica aos renascentistas, o artista neoclássico difere na adoção de temas: mais épicos e menos religiosos. De 1787, "A Morte de Sócrates" retrata o filósofo teorizando sobre a imortalidade da alma, justificando sua escolha pela sentença de morte, ao invés da renúncia de suas teses, mostrando que as idéias estão acima das paixões humanas. Está no Metropolitan, NYC.

domingo, junho 04, 2006

A terceira via da arte

A terceira via da história da arte é o Realismo. Enquanto os neoclássicos pintavam o belo, os românticos olhavam para o sublime. Embriagando-se em prostíbulos revolucionários, o Romantismo dissolvia a perfeição dos contornos neoclássicos. Essa era uma guerra cultural marcante, e sua relevância era nada menos que a busca da verdade: de fora para dentro ou de dentro para fora. O Realismo, deslocado do percuciente debate filosófico, resolveu pintar o objeto exatamente como ele era, eliminando o espírito criativo do artista. Ora, para pintar algo verossímil, melhor observar o objeto diretamente. Ou contratar um retratista.

sexta-feira, junho 02, 2006

Parla!

Moisés, de Michelangelo Buonarroti (Itália, 1475-1564), obra-prima da escultura renascentista, localizada na Paróquia de San Pietro in Vincoli, Roma. O artista registra a ira de Moisés que, recém descido do monte Sinai, observa com ar de reprovação seu povo adorando um bezerro de ouro. Em seguida Moisés quebra as tábuas da lei que carregava, destrói o bezerro de ouro e ora. Deus reescreve as palavras em duas novas tábuas de pedra.